Profissões de futuro

Que novas necessidades estamos a produzir?

Os avanços da ciência e da técnica indicam um novo mercado laboral. Nestes tempos de crise e desemprego, é bom saber que vêm aí novas profissões.

Em que irá trabalhar daqui a 20 anos? A empresa britânica Fast Future, especializada em detectar tendências, ouviu centenas de peritos de todo o mundo para identificar quais serão as profissões mais cotadas daqui até ao ano 2030. Segundo os consultores, a maior parte estará relacionada, de uma maneira ou de outra, com a chamada “teoria do pequeno BANG” (uma alegoria do Big Bang), cujo nome reúne quatro elementos essenciais para a ciência do século XXI: os bits de informação, os átomos da matéria, os neurónios do cérebro e os genes que integram o código da vida. Embora o panorama seja de incerteza, parece que aqueles que vierem a exercer os novos ofícios nos ajudarão a enfrentar melhor o futuro, o qual, segundo os entendidos na matéria, será marcado por desafios como o desenvolvimento sustentável ou o apogeu dos meios sociais.

E.S.

 

Agricultor urbano

Dentro de duas décadas, as hortas cultivadas na vertical ter-se-ão transformado num elemento habitual da paisagem urbana. Surgirão, possivelmente, em arranha-céus, edifícios que podem resolver dois problemas previsíveis: o aumento da população (5000 milhões de pessoas habitarão as cidades em 2030, segundo a ONU) e a escassez de terrenos de cultivo para produzir alimentos para tanta gente. Alfaces, tomates, cenouras, beringelas, morangos e ervas aromáticas crescerão nos terraços e varandas envidraçadas de edifícios de arquitectura sustentável, os quais funcionarão com energia eólica e solar, além de reciclarem as águas residuais da cidade para a rega. As instalações serão dirigidas por cientistas, encarregados de criar e manter o microclima adequado para o cultivo das plantas e a criação de animais, além de zelarem pelo controlo da qualidade final dos produtos.

Segundo Dickson Despommier, professor da Universidade de Columbia (Nova Iorque) e autor do conceito de “quinta vertical”, um edifício de 30 andares poderia alimentar entre dez e cinquenta mil pessoas. As vantagens não terminam aqui: com esta fórmula inovadora, não se perderão colheitas por causas meteorológicas e também não será necessário recorrer a fertilizantes ou pesticidas nas plantações.

 

Manipulador de lixo digital

É possível que o saber não ocupe lugar, mas a informação ocupa. Em muitos casos, com efeito, os equipamentos informáticos que usamos em casa e no trabalho, incluindo os gadgetsque andam connosco, acumulam uma imensidão de dados que, na realidade, não nos servem para nada. Por isso, cabe ao especialista encontrá-los e deitá-los fora. O trabalho consistirá em desenvolver aplicações que permitam uma limpeza programada e periódica dos dados excedentes que armazenamos (cookies, registos de transacções electrónicas, ficheiros duplicados, etc.), assim como aconselhamento sobre a informação de que podemos prescindir. Embora pareça relativamente simples, implica uma grande responsabilidade, pois estes profissionais poderiam apagar dados importantes sem deixar qualquer vestígio da sua existência.

 

Guia de turismo espacial

A empresa Virgin Galactic é a primeira companhia a oferecer viagens comerciais ao espaço, e está previsto que o seu espaçoporto, situado no Sul do Novo México (Estados Unidos), acolha os primeiros voos ainda durante este ano. Mais de 300 clientes já reservaram os seus lugares, pelo preço astronómico de 200 mil dólares cada um. No entanto, quando a oferta de turismo espacial (ou mesmo as viagens à Lua ou a Marte) estiver ao alcance de mais bolsos, irá certamente aumentar a procura tanto de pilotos espaciais como de guías turísticos com formação em astronomia, cosmologia, geografia e geologia lunar. Irá também haver muita procura de arquitectos com especialização espacial, como os que trabalham actualmente no Centro Internacional de Arquitectura Espacial Sasakawa (SICSA), na Universidade de Houston (Estados Unidos), envolvidos em projectos como uma estufa marciana ou veículos em que os excursionistas do espaço poderão percorrer outros mundos de máquina fotográfica às costas. Por sua vez, uma empresa de Barcelona, a Galactic Suite, tem planos para colocar em órbita o primeiro hotel espacial já em 2012. Os futuros hóspedes darão uma volta ao mundo em cada 90 minutos e poderão assistir diariamente 16 vezes ao pôr-do-sol. “Será o nascimento do Homo spaciens”, diz o seu director, Xavier Claramunt.

 

Polícia do clima

Bombardear as nuvens com iodeto de prata para provocar artificialmente chuva é uma prática já aplicada, em determinadas ocasiões, por diversos países, e que se poderá tornar habitual no futuro. Embora a sua eficácia para combater a seca seja indiscutível, a técnica coloca também um problema evidente: a necessidade de controlar os efeitos sobre a atmosfera e o clima de outras regiões. Daí que pareça previsível a criação de um novo corpo policial para poder, com a assistência de climatólogos, conceder licenças para efectuar este tipo de actividades, inspeccionar as operações para verificar que decorrem dentro dos limites legais e perseguir terroristas climáticos e contrabandistas de iodeto de prata, entre outros eventuais novos delinquentes. Essas forças de segurança utilizarão veículos aéreos e sensores terrestres para detectar alterações não-autorizadas do clima em todo o planeta.

 

 

alt

Produtor de transgénicos

 

Arroz com vitamina A para evitar a cegueira por desnutrição; batatas nutritivas ricas em proteínas; girassóis para tratamento do cancro; galinhas a pôr ovos com fármacos contra a doença de Parkinson; vacas que produzem leite com a hormona do crescimento; tomates criados em água salgada; suínos com tantos ácidos ómega-3 como o peixe gordo; batatas e cereais que combatem a alergia ao pólen primaveril... Estes são apenas alguns dos organismos geneticamente modificados que poderemos ter sobre a mesa dentro de alguns anos. Uma nova geração de cientistas, especializados em engenharia genética, biologia e biotecnologia, assegurará o êxito da produção. Assim, poderão também cultivar-se em laboratório plantas transgénicas especialmente preparadas para limpar solos contaminados ou eliminar productos tóxicos dos cultivos. Terão igualmente ao seu serviço milhões de larvas do bicho-da-seda geneticamente modificadas para fabricar fios de teia-de-aranha, extremamente resistentes e elásticos. Sem dúvida, uma verdadeira revolução para a indústria têxtil do futuro.

 

Piloto à distância

O crescente intercâmbio comercial global dará origem a um aumento do volume do transporte de mercadorias e, por conseguinte, a uma maior utilização das cargas aéreas. Com este panorama de fundo, talvez surja a necessidade de especialistas em navegação para comandar e orientar os voos sem terem de estar fisicamente a bordo da aeronave. Estes profissionais trabalhariam num centro de controlo de tráfego aéreo, de onde verificariam que o avião percorria a rota pré-estabelecida. Embora possa parecer um cenário fictício, está muito mais próximo da realidade do que imaginamos. Em Junho de 2010, a Boeing apresentou oPhantom Eye (“Olho Fantasma”), um avião-espião com motor de hidrogénio, dirigido por controlo remoto, que pode voar a 20 mil metros de altitude durante quatro dias sem precisar de reabastecer. Seguindo esta ideia, talvez outras companhias possam utilizar um protótipo semelhante para os seus aviões de carga começarem a sulcar os céus sem tripulantes.

 

Criador de veículos mais limpos e eficientes

Dentro de pouco mais de 20 anos, os automóveis funcionarão com combustíveis alternativos, terão condução automática graças aos sistemas de navegação e serão concebidos para transportar robôs encarregados de cuidar de uma população que irá alcançar os 130 anos. Este é o vaticínio que se retira do relatório O Mundo no Ano 2030, elaborado pelo escritor e futurólogo Ray Hammond. O facto é que parece não andar longe da realidade. Em países como a Suécia, por exemplo, já foi anunciado que os carros a gasolina serão proibidos a partir de 2030. Serão necessários, para fabricar os automóveis que irão circular pelas estradas dentro de duas décadas, engenheiros e desenhadores industriais que conheçam as características dos novos combustíveis, como o biodiesel, o etanol ou o hidrogénio, além da tecnologia dos veículos eléctricos, evidentemente. As carroçarias feitas com materiais plásticos reforçados com fibra de carbono permitirão o aparecimento de automóveis muito mais leves. Alguns poderão mesmo ser autoconduzidos, e outros circularão tanto rente ao chão como pelo ar. Um futuro sem poluição e sem engarrafamentos? Quem sabe, tudo é possível!

 

Especialista em reciclagem

Hoje, basta separar simplesmente o lixo orgânico do papel, do vidro e dos plásticos, mas o que acontecerá quando houver uma grande quantidade de novos materiais sintéticos, como os que começam agora a aparecer? Uma reciclagem bem feita, além de nos ajudar a desfazer dos desperdícios de forma organizada, terá outros efeitos benéficos, com a preservação dos recursos e a redução do aquecimento global do planeta. Nessa altura, serão provavelmente precisos profissionais altamente especializados que os recuperem entre as montanhas de desperdícios contaminantes e que saibam reconverter os resíduos tóxicos em matérias-primas para a produção ou em novas fontes de energia não-poluentes. Talvez também seja necessário recuperar bactérias que aumentem incessantemente de número e possam, entre outras coisas, servir como reserva de carburante.

 

Corretor do tempo

Todas as coisas nos são alheias; apenas o tempo é nosso”, sentenciava Séneca há séculos. Sendo assim, quem nos proíbe de o vender? Actualmente, já existem bancos em que se obtêm créditos em troca de prestar serviços à comunidade (por exemplo, passear o cão ou pintar a casa de um vizinho), que podem depois ser utilizados na aquisição de préstimos oferecidos por outros membros. A filosofia parte do princípio de que toda a gente tem algo para dar e, também, algo para pedir em alguma ocasião. Chegaremos a contratar corretores, como na Bolsa, para agir como intermediários nestas transacções? Se assim for, estes profissionais irão mediar as permutas e ajudar a atribuir um preço (em unidades de tempo) a cada novo serviço proporcionado. Como forma de pagamento, terão também direito a créditos de tempo. Poderá mesmo chegar uma altura (por que não?) em que poderão mediar a troca de divisas de tempo por dinheiro.

 

Nanomédicos

Os peritos vaticinam que serão os licenciados mais bem remunerados dentro de duas décadas. Estes médicos serão especialistas em tratamentos ba­sea­dos na nanotecnologia, isto é, em escalas de um milionésimo de milímetro.

É verosímil que receitem novas vacinas em forma de gotas para o nariz ou pomadas dermatológicas, sem necessidade de agulhas, ou que introduzam na corrente sanguínea dos doentes com cancro nano-robôs, mais pequenos do que um grão de pó, que percorrerão o organismo em busca de células malignas, a fim de exterminá-las. Talvez utilizem, também, nanocompósitos para curar fracturas ósseas, e nanotubos de carbono para recuperar as lesões neurológicas causadas pela doença de Alzheimer. Os diagnósticos passarão a ser quase instantâneos graças aos microlaboratórios num chip, pequenos dispositivos portáteis que permitirão aos clínicos efectuar, simultaneamente, milhares de análises a partir de uma única célula.

 

Cirurgião da memória

O cérebro humano possui cerca de cem mil milhões de neurónios, e cada um estabelece, pelo menos, um milhar de ligações com as células vizinhas, o que implica que a nossa capacidade para armazenar dados ronda os 2,5 petabytes. Se a esperança de vida aumentar no futuro e a quantidade de informação que acumulamos ultrapassar esses limites, novos neurocirurgiões especializados em implantar chips de memória suplementar no cérebro virão em nosso auxílio. Além da especialização em anatomia e neurologia, terão conhecimentos em segurança informática e utilizarão firewalls e antivírus para proteger o aumento da capacidade de memória dos pacientes. É previsível que seja criada, a fim de controlar a sua actividade, uma Comissão para a Potenciação Neurológica, a qual deverá emitir um parecer favorável antes de qualquer intervenção. Os especialistas poderiam também aplicar as descobertas feitas recentemente por Andrés Lozano, neurocirurgião do Toronto Western Hospital (Canadá) que comprovou que a estimulação de determinadas zonas do cérebro humano com eléctrodos permite recuperar memórias e conhecimentos esquecidos há anos.

fonte:http://www.superinteressante.pt

publicado por adm às 21:52 | comentar | favorito