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Jul 12

Quer ir para Angola? Então prepare-se!

Autores escrevem sobre o que deve levar na mala. E sobre o que vai encontrar quando chegar.

Emigrar, seja lá para onde for, implica malas, despedidas, alguns lenços de papel e sobretudo muita vontade de agarrar uma nova vida. Mas não vá para fora para fugir a uma realidade. Vá, sim, como escrevem os autores de "Atribulações de um português a fazer negócios em Angola" (Esfera dos Livros), bem preparado e com a missão de fazer bons negócios.

E o que deve um português levar na mala quando ruma para Angola? Muita coisa. Mas sobretudo a capacidade de identificar oportunidades, que são, segundo Nuno Gomes Ferreira, co- -autor desta obra, uma viagem que se divide entre o curto, o médio e o longo prazo.

Construção, telecomunicações e agricultura são sectores a ter em conta; tal como a produção de calçado, vestuário e loiças. Tudo, obviamente, com parceiros locais. Sobre temas polémicos como a nova lei de incentivo fiscal ou a dificuldade de expatriar dinheiro, fique a saber que a triangulação (histórica) com Cabo Verde poderá ser uma boa opção. Tudo isto, curiosamente, na semana em que a União Europeia e Angola assinaram um novo acordo de cooperação - "Caminho Conjunto Angola - União Europeia". A reter.

Qual a melhor forma de ir para Angola à procura de novas oportunidades de vida?
Uma mensagem prévia: antes de pensar em ir para Angola, o português tem que ter uma ideia muito clara do que está a fazer em Portugal. Não faz sentido ir para Angola se não tiver uma vantagem competitiva clara daquilo que vai fazer no mercado angolano. E ter vantagens competitivas claras quando chegar a Angola. Quando chegar a Angola o melhor conselho que posso dar, embora neste momento não seja obrigatório, é a escolha de um parceiro local. Juridicamente não é obrigatório, mas é muito relevante a escolha de um parceiro local. E isto passa por dois motivos. Primeiro, temos um país muito dependente de petróleo, e obviamente quem controla o petróleo é o Estado. Por tanto, o melhor conselho que se pode dar a um empresário, que se queira posicionar em Angola, é que este se ligue a alguém do sector do petróleo; ou eventualmente a uma pessoa ligada directamente ao poder executivo.

É fácil encontrar assim um parceiro?
É fácil encontrar parceiros. É muito difícil encontrar o parceiro ideal.

Existe alguma instituição que possa ajudar a dar informações? 
Considero duas hipóteses. A AICEP Angola (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), que está a trabalhar muito bem. E também aconselho uma visita previa à ANIP (Agência Nacional de Investimento Privado). Mas temos que ter presente que o mais importante para fazer um negócio, e um negócio sério, é ir por convite. É a melhor hipótese.

Ou seja é a chamada `Carta de Chamada´ dos tempos modernos?
Exactamente. É a melhor maneira de ir para lá. Desde logo porque existe um novo enquadramento jurídico e a PME (Pequena e média empresa) para entrar já deverá ir com algum cuidado prévio sobre aquilo que vai fazer. Antes de embarcar é bom ter o projecto bem formalizado em Portugal para quando lá chegar estar bem direccionado e posicionado. Mas a escolha do parceiro é, sem dúvida, muito importante.

Fale-nos da nova lei. Até que ponto é que a nova lei angolana para o investimento estrangeiro pode afligir quem quer investir em Angola? 
Existe um limite mínimo neste momento para se fazer um investimento e estar abrangido por essa nova lei: que é de um milhão de dólares americanos. No contexto actual já começa a ser muito difícil arranjar um pacote de um milhão de dólares para investimento e isso poderá ser limitativo na maneira de fazer negócios.

Essa lei também é aplicada a quem tem parceiros locais?
Exactamente. Cada investidor externo tem que levar na bagagem - ou em equipamento, ou em dinheiro ou em ‘know-how' - o equivalente a um milhão de dólares.

Isso torna a vida difícil às PME's? 
Para pequenos e médios empresários o livro deixa algumas portas de alternativas.

Que alternativas são essas? 
Nomeadamente a utilização da plataforma de Cabo Verde; e a utilização de Cabo Verde como plataforma financeira e fiscal para entrada em Angola. Desde logo porque há uma moeda - que é o escudo caboverdiano - que está perfeitamente indexado ao euro (quando Angola está dolarizada) e um sistema fiscal muito similar ao nosso. Bem como uma convenção de dupla tributação de Portugal - Cabo Verde, que, por exemplo, não existe com Angola .

Trabalho publicado na edição de 27 de Julho de 2012 do Diário Económico

publicado por adm às 12:09 | comentar | favorito
14
Fev 12

As oportunidades de emprego em Angola

Formação, recursos humanos, turismo e construção são alguns dos sectores que procuram quadros.

Angola está a crescer e precisa de profissionais qualificados para as áreas das tecnologias da informação, da formação profissional, dos serviços de ‘back-office' e do turismo. Com uma economia em desenvolvimento e um mercado florescente, o país acolhe os portugueses que emigram para Angola com salários elevados e um ambiente cheio de desafios.

"Angola encontra-se num período de acelerado desenvolvimento comercial e económico", considera a AICEP, que aponta um crescimento das importações entre Portugal e aquele país, de 2010 para 2011, na ordem dos 82%. "Assim, no âmbito da diversificação da actividade dos sectores económicos que está a ser desenvolvida por Angola, existe uma necessidade estratégica de recursos qualificados", acrescenta a AICEP.

O perfil dos portugueses que vão para Angola também está a mudar, soube o Diário Económico. Hoje, são sobretudo jovens profissionais, que levam a família, e que vão trabalhar para sectores cada vez mais diversificados, como a formação em recursos humanos e as tecnologias de informação, a par de sectores mais tradicionais como a construção.

"É fácil encontrar uma oportunidade de trabalho, porque há necessidade de recursos qualificados no país", corrobora José Bancaleiro, managing partner da Stanton Chase International, empresa de ‘executive search'.

As áreas em que se encontra mais emprego são "as áreas das Tecnologias de Informação TIC's, da formação profissional, dos serviços de ‘back-office' e do turismo, que são áreas da actividade económica que estão em crescimento", realça a AICEP. No entanto, "dada a política de diversificação de sectores que a economia angolana atravessa actualmente, todos os sectores produtivos são de considerar", acrescenta.

José Bancaleiro destaca como os sectores que procuram mais mão-de-obra, "a construção civil, a manutenção, a metalomecânica, o petróleo e a hotelaria." O ‘managing partner' da Stanton Chase frisa ainda que "em termos de competências, os profissionais ganham, obrigatoriamente, flexibilidade, resiliência, capacidade de adaptação, de gestão da mudança, de gestão intercultural." Um dos principais desafios que vão encontrar é que "têm de estar sempre a procurar soluções para tudo."

A adaptação pode não ser fácil, mas compensa, diz ainda José Bancaleiro. "É difícil a adaptação a Angola, as pessoas têm de ser resilientes", opina Bancaleiro. Porém, "a vantagem é que os salários compensam", lembra. "As pessoas vão ganhar pelo menos o dobro líquido do que ganham em Portugal", garante José Bancaleiro.

E ir trabalhar para Angola compensa também para "ganhar experiência numa sociedade diferente, em rápida evolução e onde se vê que podemos contribuir com a nossa experiência de vida e trabalho e acelerar o desenvolvimento económico e social", diz Francisco Botelho, director executivo do Sol Angola.

Ana Águas conta que o país compensa também por outras razões. A técnica de recursos humanos da Score Distribuição já foi a um casamento angolano e já passeou pelo país, o que "é de aproveitar."

Mas, aponta, é "um desafio" viver e trabalhar em Luanda, seja pelo trânsito caótico, seja pelo tempo de espera nos serviços, ou simplesmente por que o custo de vida é muito mais alto do que aquele a que estamos habituados em Portugal.

"Em Luanda um pequeno apartamento pode custar dois mil euros por mês, uma casa cujo arrendamento em Lisboa custaria mil euros, lá custa quatro mil ou cinco mil euros. Os restaurantes bons custam 50 euros sem vinho", avalia Francisco Botelho.

Houve também um episódio em que Ana teve uma alergia e precisou de ir ao hospital: "uma das falhas que existe é a falta de medicamentos", lembra.

José Bancaleiro sublinha ainda que "o visto é a principal dificuldade para quem quer ir trabalhar para Angola." O processo de obter o visto de trabalho, válido por um ano, pode demorar um mês, implicando reunir uma lista extensa de documentação aprovada pelo Consulado de Angola. A "reacção dos angolanos, a maneira como são recebidos os estrangeiros, os riscos, a segurança, o relacionamento." podem ser outros problemas na chegada a Angola, avisa José Bancaleiro.

"O ideal é morar perto do trabalho, pois o trânsito é infernal, e para entrar em Luanda pode-se demorar duas ou três horas de ida, mais outras tantas de volta", aconselha Filipe Barros, ‘controller' na direcção financeira do Grupo Zwela. Em Angola desde 2008, o economista e consultor considera que "o mais interessante e enriquecedor é o intercâmbio de cultura e mentalidades, facilitado pela língua e o passado em comum." Mas não esquece mais conselhos úteis: "também convém conferir qual o salário depois de impostos e taxas locais, e a forma como é pago, uma vez que existem limitações no expatriamento de capitais", avisa.

"Existem dificuldades que já não sentimos tanto em Portugal, como os preços altos do arrendamento das casas, os engarrafamentos, o controlo intenso da polícia ou as falhas de água ou de luz", lamenta Filipe Barros. Porém, encantado com Angola, afirma também que "basta encarar essas situações com alguma abertura e flexibilidade para as aceitar com facilidade".

Também Francisco Botelho frisa que é preciso "que se vá ‘open minded', porque se vai encontrar um ambiente duro e se já se vai cheio de conselhos e preconceitos, tudo se torna uma preocupação".

 

FONTE:http://economico.sapo.pt/

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13
Out 11

Governo angolano anuncia criação de mais de dez mil novos empregos

Mais de dez mil novos postos de trabalho vão ser criados na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo.

O anúncio foi feito hoje pelo ministro angolano da Economia, Abraão Gourgel, na inauguração da sede provisória da Sociedade de Desenvolvimento da ZEE.

Segundo a agência de notícias angolana Angop, o projecto prevê a construção de 73 novas fábricas, a somarem-se às oito atualmente existentes, que empregam dois mil funcionários.

Partindo do projecto, a meta definida pelo governo é que, até 2015, 
Angola seja reconhecida como a primeira opção na instalação de unidades de negócio.

A Zona Económica Especial, criada há seis anos, tem fábricas de medicamentos, cabos de fibra óptica, tintas e vernizes, material eléctrico e sistemas de irrigação.

fonte:http://economico.sapo.pt/

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