Como conseguir emprego em poucos meses

Antigos desempregados ensinam a arranjar trabalho. Ajudam quem procura emprego, em “workshops” gratuitos que já têm listas de espera.

Aqui não se fazem milagres, mas mudam-se vidas. Marco é um desses casos. Andava há oito meses há procura de emprego quando participou no “workshop” Mover Portugal para desempregados, em Lisboa. Chegou desanimado e já sem vontade de bater a novas portas. Dois meses depois estava a começar no novo emprego.

Hoje, Marco diz de sorriso rasgado que está feliz: "sou independente, tenho o suficiente para manter a minha casa, para educar os meus filhos e continuo atrás das metas que tinha, agora com mais vontade".

Marco regressa a este espaço como voluntário. Hoje são cerca de 20, dão apoio e participam de forma activa nos trabalhos. Recusa revelar qual é a sua função, porque a surpresa faz parte do programa.

"Muitas das desculpas eu também as enfrentei"
À frente das operações está José Almeida, que é também o responsável pela maior parte dos trabalhos. Anda de um lado para o outro, no palco improvisado, mas não são os passos nem o metro e 80 de altura que o fazem chegar ao fundo da sala, é a voz firme que projecta até às últimas cadeiras, onde se enterram os mais tímidos e mais desmotivados.

Ele próprio já esteve no desemprego, uma condição que conhece bem, e por isso aqui não são aceites desculpas. "Tenho uma autoridade de causa a falar com eles que é diferente de quem nunca passou pelo processo, muitas das desculpas que surgem eu também as tive de enfrentar." José Almeida conhece de cor as desculpas: "não consigo, não sei quanto tenho de cobrar, será que tenho de abrir uma empresa, não sei o meu valor".

"Desemprego está democratizado, chega a todos"
Desta vez José Almeida fala para cerca de 230 homens e mulheres, com diferentes habilitações e origens distintas, unidos pela procura de emprego.

"Não há uma métrica definida", explica Rosa, gestora de projectos, "o desemprego está democratizado, já chega a todos, temos ali gente com doutoramentos, até pessoas com a quarta classe, temos pessoas que vieram de cargos de alta direcção até pessoas que ganhavam o ordenado mínimo".

Mesmo com lista de espera, muitos desistem
Rosa tem a responsabilidade de colocar o evento em marcha, através de patrocínios, parceiros e voluntários, o que faz com que seja gratuito.

Por ela também passam as inscrições e já existe lista de espera, "a adesão tem sido sempre muito grande". Ainda assim, há sempre quem falte à chamada.

Para este “workshop” estavam inscritos 230 participantes e outros 150 aguardavam uma oportunidade. Mas como é gratuito, as pessoas pensam "Ah, se faltar não há problema, e temos sempre uma quebra de 40%", o que acaba por ser uma oportunidade para quem aguarda vez.

Até 40% arranja emprego em meses
Se as estatísticas se confirmarem, destes 230, cerca de 90 vão conseguir emprego nos próximos meses. José Almeida garante que, três a quatro meses depois da formação, "30 a 40% das pessoas ou arranja emprego ou monta o seu próprio negócio", alguns até nascem no “workshop”.

Para um final feliz nem é preciso muito, às vezes bastam pequenas alterações, como uma injecção de motivação e um novo currículo. Marco confessa que em 10 meses enviou quase 500 currículos, aqui descobriu que não estava a tratar da informação da melhor forma.

"Há um retorno imediato"
Os trabalhos estão divididos em três dias, que começam pela motivação e gestão emocional, passando por ferramentas de comunicação e estilos comportamentais e acabam com o dia da integração.

Rosa garante que de sessão para sessão são visíveis alterações na postura e no olhar, "há um retorno imediato, ao final do primeiro dia já vêem uma possibilidade e ao final do terceiro já admitem uma oportunidade".

Estes “workshops” começaram por realizar-se em Lisboa, mas entretanto já chegaram ao Porto e ao Funchal. A meta para este ano é levar a iniciativa ao centro do país e ao Algarve.

fonte:http://rr.sapo.pt/in

publicado por adm às 23:01 | comentar | favorito