Cinco receitas dadas por empresários para conquistar um emprego

No final do primeiro trimestre, o país tinha 166 mil jovens (15-24 anos) sem trabalho e na faixa etária logo acima (25-34 anos) havia mais 270 mil desempregados. Estes dois grupos representam 45,8% dos 952.200 portugueses sem emprego. Os responsáveis máximos de três empresas de sucesso apontam cinco receitas para convencer os empregadores e dizem que dispensam bem as ajudas do Estado à contratação, chegando mesmo a sugerir o fim do subsídio de desemprego para combater a tentação de só procurar trabalho quando o Estado já não dá abrigo. 

Respondendo positivamente ao desafio feito pela Universidade Lusíada de Famalicão, os responsáveis máximos da Salsa, Mabera e Kung Portuguesa abriram o livro dos critérios que presidem à escolha de candidatos. Do outro lado, na plateia reunida no âmbito do workshop “O Talento és Tu!”, estiveram cerca de quatro dezenas de jovens e desempregados à procura de uma luz ao fundo do túnel. 

1. Persistência
“Há uma coisa indispensável num candidato: atitude e capacidade de iniciativa. Faço entrevistas em que há candidatos a dizerem que querem uma oportunidade para provar do que são capazes. Dizem-me para os testar, dar-lhes uma oportunidade. Mas a maior parte não faz isso. A maior parte diz “eu sou bom porque tenho um canudo”, afirma Manuel Ramos, presidente da têxtil Mabera. “É essencial saber o que queremos fazer na vida. Todos vocês têm potencialidades. Podem não saber ainda o que querem, mas isso também depende do ambiente em que se encontram. Depende se conhecem muitas ou poucas pessoas inspiradoras”, refere Filipe Vilanova, dono da Salsa, uma das marcas de roupa de maior sucesso em Portugal, com dezenas de lojas espalhadas pela Europa e por outros continentes, e que tem a sua sede em Famalicão. “Nunca se deve desistir. Devemos repetir para nós mesmos que vamos ser persistentes todos os dias”, acrescenta.

2. Currículos e entrevistas
Manuel Ramos, presidente da têxtil Mabera, especializada em tinturaria e acabamentos, dá um conselho muito prático. “Em relação aos currículos (CV), há um erro gravíssimo. Os candidatos mandam o ónus para o lado das empresas. Temos milhares de CV e quem é que responde? Mandem os CV, mas procurem a resposta, batam à porta. Já contratei uma jovem que foi teimosa que bateu à porta três vezes num ano. Não desistiu”. Quanto ao conteúdo dos CV, Vasco Figueira, que dirige os destinos da Kung Portuguesa, filial de uma multinacional suíça especializada em vestuário técnico, pede uma formação académica de referência a qualquer candidato, mas isso não basta. "A experiência ensinou-nos que o aluno de 20 pode não ser o melhor técnico”. Aceitaria ouvir e implementar uma boa ideia de um jovem candidato a um emprego na sua empresa? “Já me aconteceu em diversas ocasiões entrevistar candidatos que nem sabiam em que empresa se encontravam naquele momento ou nada sabiam sobre ela, nem o setor de atividade da mesma. Assim sendo, pergunto-me como é que alguém que nunca foi a uma empresa pode conhecer a realidade da mesma para lhe propor ideias ou projetos”, afirmou Manuel Ramos.

3. Inteligência emocional
“Tentamos ser o mais específicos possível relativamente à função para a qual contratamos. Mas o critério mais decisivo é o caráter das pessoas. A inteligência emocional é essencial, mais do que a inteligência cognitiva. Toda a gente tem imensos MBA e pós-graduações, mas a capacidade relacional e de trabalho em equipa acaba por ser o mais importante para marcar a diferença”, sublinha Filipe Vilanova. Vasco Figueira confessa que a sua empresa tem uma cultura muito exigente nessa matéria, porventura fruto da influência suíça da casa-mãe. “O comportamento relacional é importantíssimo. O período de adaptação ditará se o candidato ultrapassa essa prova. Chegámos a dispensar candidatos que mostraram não estar à altura desse critério do comportamento. É sempre embaraçoso, mas não abdicamos nesse ponto”, afirma o responsável máximo da Kung Portuguesa, um engenheiro de formação que trabalha há décadas no setor têxtil.

4. Cultura e formação
“Nos últimos anos, temos também dado grande importância à cultura geral do candidato", refere Vasco Figueira. A escola de recrutamento na Kung aponta para o perfil de um profissional que saiba falar línguas, entendendo também as realidades diferentes do Rio de Janeiro, Pretória ou Moscovo. "É aflitivo o desconhecimento total dos candidatos sobre o que se passa no mundo", lamenta. “Leiam e informem-se o mais possível. É tudo fundamental para trabalhar e abrir novas perspetivas quando procuramos emprego”. Para Vasco Figueira, a capacidade de adaptação a novas realidades é essencial num mundo dos negócios em que é frequente mudar de tática ao longo do tempo, tornando a cultura geral num requisito fundamental em empresas que trabalham em geografias e culturas diversas. “Pergunto muitas vezes aos candidatos se usam o computador só para jogos ou se sabem utilizar essa ferramenta de forma produtiva”, refere Manuel Ramos. “A licenciatura é muito pouco para que os jovens cheguem ao posto de trabalho e integrarem-se. Apetece-me dizer que a formação de base é muito importante. Há muita oferta de cursos agora, mas muito pouca qualidade”, acrescenta.

5. Mobilidade
Ter vontade de trabalhar em qualquer geografia é essencial para conseguir emprego. “Sou natural de Lisboa e vim trabalhar para Famalicão em 1974, com dois filhos e a casa às costas. Muitos não querem sair da rua onde vivem e da casa dos pais. Não dispensam estar no café com os amigos e com a namorada. Hoje, fala-se na necessidade de emigrar, mas vejo que muitos jovens não querem abdicar do seu local de origem. Quantos estrangeiros estão a trabalhar em Portugal?”, refere Vasco Figueira. “É tudo uma questão que resulta da forma como fomos educados. Hoje, compreendo essas pessoas porque foram mentalizadas a ficar presas ao local de origem”, relativiza Filipe Vilanova. “Não é obrigatório emigrar. Cada um deve fazer aquilo que pretende. De repente, parece que emigrar é a receita para tudo. E eu até considero que o grande dinamismo na criação de empresas em Portugal resulta da crise. As dificuldades atuais são uma bênção, tal como as provações da Alemanha após a II Guerra Mundial que fizeram daquele país a nação que é hoje”, acrescenta o dono da Salsa.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 18:12 | comentar | favorito