23% dos portugueses empregados dispostos a emigrar

Os trabalhadores estão cada vez mais descontentes com as condições de emprego em Portugal e mostram maior disponibilidade para emigrarem.

O número de trabalhadores no activo, em Portugal, está a diminuir, indica um estudo realizado pela GFK, divulgado esta terça-feira. Através da amostra analisada, concluiu-se que, apenas 38,7% dos inquiridos, entre os 18 e os 75 anos, estão empregados. Este resultado representa uma diminuição de 13 pontos percentuais na população activa empregada, do que o observado em 2011.

 

Perto de um quarto (23%) da força produtiva de Portugal diz-se disposta a emigrar para conseguir melhores condições de emprego. As camadas mais jovens e com formação superior são as que se mostram mais disponíveis. É também neste grupo que se encontram os trabalhadores com menor índice de compromisso laboral.

 

A retenção dos trabalhadores jovens, em Portugal, deverá ser encarada como um desafio para a economia, segundo o estudo, já que o baixo índice de compromisso laboral (62%), pode originar problemas significativos para as empresas. Este resultado representa uma queda de 5 pontos percentuais, face a 2011, a última edição do estudo.

 

Mudar de carreira é já uma possibilidade colocada por 18% dos inquiridos e 18% do total já o fez. Aceitar um emprego sem que este fosse do seu agrado foi também uma realidade para 19% da amostra.

 

O receio de perder o emprego é uma realidade, com um em cada cinco trabalhadores a admitir que poderá não conseguir manter o emprego nos próximos 12 meses. Os mais jovens são os mais pessimistas, revela o mesmo estudo.

 

A segurança no emprego é, aliás, a maior preocupação dos indivíduos no que toca à actividade laboral, 26% dos empregados refere-a como uma preocupação frequente. O intervalo entre os 35 e os 54 anos é o mais afectado.

 

Outra das preocupações prende-se com o nível de stress (21% refere que é uma constante) e o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, 21% diz sentir dificuldade em conciliar as duas.

 

Os cortes nos salários e/ou noutros benefícios afecta mais portugueses em 2013 do que o número atingido em 2011. A redução do subsídio de férias e/ou subsídio de Natal foi o corte mais referido, 68,1% dos inquiridos. Na última edição do estudo apenas 10,7% dos indivíduos afirmou ser afectado por esta diminuição do rendimento.

 

As oportunidades de desenvolvimento da carreira estarão também a diminuir. Do total de inquiridos, 41% considera que a empresa em que se insere lhe proporciona oportunidades de desenvolvimento de carreira. O optimismo era maior em 2011, momento em 53% da amostra responde afirmativamente ao mesmo ponto.

 

No índice de satisfação com o emprego notou-se também uma redução. Em 2013, 11% dos indivíduos empregados afirmaram estar “muito satisfeitos com o emprego”, o que compara com os 14% registados em 2011. A queda do índice é mais acentuada na faixa etária entre os 18 e os 24 anos, onde se observou um decréscimo de 11 pontos percentuais no número de jovens “muito satisfeitos com o emprego”.

 

Apesar disto, 44% dos entrevistados afirmou que permaneceria na empresa em que trabalha, mesmo que recebesse uma “boa proposta de emprego” noutro local.

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publicado por adm às 20:58 | comentar | favorito