As cinco piores perguntas numa entrevista de trabalho

1. Na conjuntura actual, perguntar a um candidato porque concorreu àquele emprego devia ser proibido, ou mesmo fazer com que um raio fulminasse o entrevistador, ali mesmo. A verdade é que 99% dos candidatos estão ali porque não têm alternativa – e não porque o seu sonho de meninos é trabalhar numa linha de montagem... No entanto, poucos terão a coragem de responder sinceramente – antes vão balbuciar uma série de frases feitas sobre a qualidade da empresa e a honra de fazer parte da história e blábláblá... Conversa de chacha para nada, visto que ambos sabem que a resposta é bem mais simples e dramática.

A melhor forma de responder a esta questão é com honestidade. Qualquer coisa como: “Como sabem, estou à procura de emprego [se têm o seu currículo, sabem exactamente há quanto tempo está desempregado] e a vossa oferta pareceu-me interessante. Acredito que posso aprender convosco e que tenho algo para dar à vossa empresa.” Pôr as cartas na mesa pode resultar bem melhor do que todos os elogios que está preparado para despejar para pôr as mãos nesse emprego.

 

2. Outra pergunta que muitos entrevistadores acreditam ser verdadeiramente original apesar de a fazerem há dez anos é aquela em que lhe pedem para meter a mão na consciência e tirar de lá um defeito que esteja disposto a partilhar com alguém que apenas acaba de conhecer e em relação a quem está a esforçar-se ao máximo para garantir que gosta de si. “Oh, sim, posso dizer-lhe que não suporto trabalhar em equipa, sou incapaz de seguir uma ordem e já fui detido por agressão ao meu antigo chefe!”

A sério?! Alguém espera uma resposta sincera a esta pergunta? Em primeiro lugar, a auto-análise não é o forte de muita gente – encontrar defeitos ou mesmo qualidades para destacar não é tarefa fácil. Por outro lado, se a pessoa que está sentada à sua frente quer impressioná-lo pela positiva, vai limitar-se a dar uma resposta vaga ou cair em generalidades do género “os meus defeitos até são vistos como qualidades... trabalho de mais, sabe”.

Infelizmente, a parvoíce não impede ninguém de chegar a chefe, por isso, se se vir sentado numa entrevista com esta pergunta sobre a mesa, o melhor é respirar fundo, beber um gole de água e responder. Como? Vire a conversa, com sentido de humor, se possível. Diga que o defeito que lhe vem à cabeça é fugir a perguntas que podem incriminá-lo e que prefere falar de como os seus talentos podem servir a companhia e a sua personalidade adaptar-se facilmente àquele ambiente de trabalho.

 

3. Claro que não estou a esquecer-me da pergunta que implica alguma forma de fantasia – um clássico. Por alguma razão, muitos entrevistadores acreditam que lançar este tipo de desafio os faz parecer inteligentes e ajuda a descobrir mais sobre o entrevistado. Se não estivermos a falar de um emprego a inventar histórias ou que implique fantasiar mais do que cumprir tarefas físicas e reais, realmente não entendo como perguntas do género “Onde se vê daqui a cinco anos?” ou “Se fosse um animal, qual seria?” podem dar pistas sobre o entrevistado.

Antes de cair na tentação de responder “Daqui a cinco anos vejo-me sentado na sua cadeira a comandar a sua equipa, mas certamente não a fazer perguntas idiotas”, sorria, faça que pensa uns segundos e fuja a fazer uma dissertação sobre os seus objectivos de vida por etapas. Ou a comparar-se ao forte, determinado e nobre cavalo. Ninguém quer saber. Dê uma resposta simples, curta e discretamente aberta. Algo como: “Vejo-me profissionalmente realizado, a trabalhar em projectos como o A, B ou C [cite aqui dois ou três casos de sucesso da empresa a que se candidata]”.

 

4. E depois há aqueles que parece que realmente a única coisa que querem é afugentar todos os candidatos. Ainda você mal se sentou, disparam perguntas como: “Vê-se a trabalhar horas extra sempre que for necessário? Está preparado para dar tudo por tudo e encarar a companhia como a sua prioridade absoluta? Sabe que apenas podemos pagar-lhe metade do que recebia antes, certo?”

OK, é errado enrolar as pessoas com falsas esperanças e promessas, mas é igualmente escusado pintar um quadro tão negro que todos os entrevistados tenham vontade de fugir dali a sete pés... Como responder a perguntas destas? Da forma mais simples: “Sim. Sim. Sim.” Pode estar a mentir, mas ninguém realmente espera que responda a verdade. Além disso, o trabalho não há-de ser tão mau como o pintam – e mesmo que seja, é melhor que nada, que é o que tem neste momento...

5. No top cinco das piores perguntas numa entrevista de trabalho está ainda aquele lote que devassa a sua vida privada. “O que faz o seu marido/a sua mulher? Tem filhos ou está a pensar tê-los? É religioso? Pratica desporto?” Estas são apenas algumas das questões que nada mais podem ter por objectivo senão revelar a sua vida pessoal – o que é não só inapropriado numa entrevista de trabalho como muitas vezes roça o ilegal (veja mais aqui). Está a concorrer a um emprego e ninguém tem nada a ver com aquilo que faz depois de sair do escritório – a menos que ande a fazer espionagem industrial ou a vender as ideias da sua empresa à sua principal rival...

Como responder se se vir confrontado com este tipo de perguntas? Não dando resposta. Diga simplesmente qualquer coisa como “A minha família sempre foi muito compreensiva em relação ao meu trabalho” ou “Gosto de usar os meus tempos livres para as actividades mais diversificadas”. Afinal, para perguntas estúpidas...

O importante é que estude o máximo possível sobre a empresa a que se candidata e, se possível, que se informe sobre quem vai fazer-lhe a entrevista. Se for preparado, nem as questões mais idiotas poderão afastá-lo do emprego que deseja.

Chefe de redacção adjunta
Escreve à segunda-feira
Escreve de acordo com a antiga ortografia


fonte:http://www.dinheirovivo.pt/E

publicado por adm às 20:48 | comentar | favorito