Valor de referência é 10 euros, mas enfermeiros recebem quatro

  Questionado pela Lusa, o presidente da ARSLVT, Luís Cunha Ribeiro, disse que este organismo não contrata enfermeiros nem quaisquer outros profissionais. Imagem: AFP PHOTO / Robyn Beck

Em causa estão entre 60 a 70 enfermeiros que prestam serviços nos centros de saúde e hospitais, através de empresas de prestação de serviços que concorrem a concursos abertos pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), um dos quais terminou na semana passada.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denunciou que, em virtude do novo concurso que foi aberto, alguns enfermeiros vão ganhar menos de quatro euros por hora.

Segundo Guadalupe Simões, dirigente do SEP, as empresas ganham 50 por cento do que a tutela paga, cabendo aos enfermeiros os restantes 50 por cento, o que neste caso significa que o valor do contrato ficou abaixo do montante de referência definido pela ARSLVT.

“Com estes valores, os enfermeiros acabam por levar para casa 250 euros mensais”, disse, alertando para a falta de motivação destes profissionais em prestar serviço por estes valores.

Questionado pela Lusa, o presidente da ARSLVT, Luís Cunha Ribeiro, disse que este organismo não contrata enfermeiros nem quaisquer outros profissionais. “Abrimos um concurso para uma prestação de serviços, cujo valor de referência [o máximo que a tutela está disposta a pagar] foi cerca de dez euros”, disse.

Cunha Ribeiro adiantou que foram excluídas as empresas que apresentaram propostas 50 por cento inferiores ao valor de referência.

O presidente da ARSLVT esclareceu que esta é uma solução provisória para três meses, uma vez que “está em curso um processo contratual”.

Em relação ao valor final que está a ser oferecido aos enfermeiros, Cunha Ribeiro descarta responsabilidades, mas garante que a qualidade dos serviços não está posta em causa.

“É totalmente falso que a qualidade esteja em causa. Estes enfermeiros têm as mesmas habilitações e capacidades, reconhecidas pelos organismos”, disse.

O SEP vai hoje tentar ser recebido por Cunha Ribeiro, aproveitando um pedido de reunião “há muito formulado” e que “nunca teve resposta”, segundo Guadalupe Simões.

O presidente da ARSLVT limitou-se a dizer que não tem conhecimento de qualquer pedido de reunião sobre este assunto.

fonte:http://noticias.sapo.pt/n

publicado por adm às 13:28 | comentar | favorito