Metade dos universitários aceita estagiar sem remuneração

Inquérito do Universia revela que 89% dos mais de 300 mil estudantes portugueses do ensino superior querem fazer um estágio este Verão.

Com o desemprego a atingir um em cada três jovens, portugueses, 89% dos mais de 300 mil estudantes universitários quer estagiar, este Verão, e metade está disposta a fazê-lo sem qualquer remunerado, apenas para adquirir experiência profissional. A conclusão é do "Questionário de Emprego" realizado pelo Universia e pelo portal de emprego "trabalhando.com", em nove países ibero-americanos.

A outra metade dos estudantes universitários portugueses não está disposta a trabalhar sem remuneração (49% contra 51%) porque necessitaria de suportar gastos e rentabilizar o tempo.

A principal razão para os jovens quererem fazer estágio (respondida por 79% dos inquiridos) é adquirir experiência de trabalho, porque sabem que lhes valoriza o currículo quando forem procurar emprego, e que a oportunidade de integrar um mercado exigente requer uma preparação prévia. Os universitários tentam preparar-se, dentro e fora da faculdade, para se tornarem mais competitivos no mercado.

"Na altura de elevado desemprego que estamos a atravessar, as empresas podem beneficiar com esta opção numa solução de curta duração, para quem quer e precisa de trabalhar», afirma Bernardo Sá Nogueira, director-geral da rede universitária Universia em Portugal.

A maioria dos inquiridos (55%) espera poder crescer profissionalmente com o estágio, mais do que os que esperam ganhar créditos para a universidade (39%) e menos ainda (6%) os que esperam aplicar conceitos aprendidos na faculdade (6%).

Perante a possibilidade de prolongar o estágio, 79% dos inquiridos admitem que o fariam porque acreditam que os ajudaria a adquirir experiência, e 11% porque teriam a possibilidade de continuar a estudar. No entanto, 5% não faria esta opção, porque consideram que lhes dificultaria os estudos.

Fazer um estágio significa, na maioria dos casos, uma "introdução ao mercado de trabalho" e daí a sua enorme importância para os jovens universitários, defende Rita Vaz Jesus, técnica de recrutamento do Universia Portugal. "Para muitos recém-licenciados/mestrados é um primeiro contacto com o mundo empresarial e permite um contacto prático entre os conhecimentos adquiridos e as regras da vida empresarial», sublinha. É como uma "extensão da aprendizagem", permitindo aos jovens adquirir novas competências ou desenvolvê-las e preparando-os para o futuro profissional, acrescenta.

Serviços e tecnologias são as áreas mais populares
Seja por causa dos cortes de salários e pensões dos funcionários públicos ou por qualquer outra razão, a verdade é que a ambição dos estudantes universitários portugueses não é trabalhar no Estado, mas no privado. Mais de metade dos inquiridos (55%) gostaria de conseguir um emprego numa empresa privada e apenas 28% se mostram interessados em trabalhar no sector público. Para uma franja ainda considerável dos inquiridos (17%), o ideal seria ir para uma ONG.

Outra conclusão que se pode tirar deste inquérito é que o sector não é muito importante no momento de começar a trabalhar. O que interessa é poder realizar um estágio profissional, seja em que área for. Ainda assim, têm preferências distribuídas pelos vários sectores. Os mais populares são os sectores dos serviços e da tecnologia, com 24% das respostas cada um, 14% apostam nos recursos humanos, 12% na produção, 13% no marketing, deixando para trás a área comercial, o Direito e as Finanças.

O inquérito, realizado em Abril pela rede de universidades ibero-americanas Universia e pelo portal de emprego chileno "trabalhando.com", falou, em Portugal, com uma amostra composta maioritariamente por jovens do sexo feminino (66%), 51% tinha entre 21 e 26 anos e 38% mais de 27, enquanto 68% se encontrava no primeiro ciclo de formação (entre o 1º e o 3º ano do curso).

No total dos nove países inquiridos - Portugal, Espanha, Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru, Porto Rico e Uruguai - uma maioria de 69% acredita que contar com alguma experiência profissional acaba por ser de grande ajuda para os estudantes. A maioria dos 27 mil inquiridos (66%) prevê realizar estágios profissionais, este Verão, uma percentagem muito abaixo da média portuguesa (89%).


Números do inquérito

89%
A esmagadora maioria de 89% dos estudantes universitários inquiridos pelo "Questionário de Emprego" prevê fazer um estágio este Verão. Apenas 11% diz que não tenciona estagiar este Verão.

51%
Metade (51%) dos inquiridos faria um estágio não remunerado, porque lhe serviria para adquirir experiência. A outra metade (49%) não está interessada em fazer um estágio sem receber dinheiro, porque precisaria de suportar gastos e perderia tempo.

55%
Mais de metade (55%) dos jovens que responderam a este inquérito gostaria de trabalhar numa empresa privada. Apenas 28% estão interessados no sector público e 17% preferia uma ONG.

Trabalho publicado na edição de 25 de Junho de 2012 do Diário Económico

publicado por adm às 13:40 | comentar | favorito
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