Aceitar uma proposta de emprego é mais complicado do que parece

O técnico de recrutamento liga-lhe com ótimas notícias: o emprego é seu. Ufa, a parte difícil acabou, certo? Talvez não. Determinar se se aceita uma proposta de emprego pode — e deve — ser uma decisão difícil. Numa economia em crise ou no caso de estar desejoso para sair do atual emprego, poderá ser tentador aceitar qualquer oferta. Mas antes de se comprometer com o emprego, precisará de avaliar a situação com cuidado.

O que dizem os especialistas
"Nos últimos 40 anos, mudámos de uma economia onde se trabalhava durante 30 anos e se ia para a reforma com um relógio de ouro, para algo que tem um caráter muito mais transacional," diz Boris Groysberg, professor de gestão de empresas na Harvard Business School e autor de Chasing Stars: The Myth of Talent and the Portability of Performance. Segundo Groysberg as pessoas mudam de emprego a cada três ou quatro anos em média, o que significa que ser capaz de avaliar uma proposta de emprego é uma competência crítica para os profissionais dos nossos dias. E no entanto, a maioria das pessoas fá-lo mal. "As pessoas passam mais tempo a pensar nos seus investimentos ou até em qual será o seu próximo destino de férias," diz John Lees, estratega de carreira sediado no Reino Unido e autor de How to Get a Job You'll Love.

É certo que determinar se deve aceitar um emprego é uma decisão individual. Danny Ertel, sócio fundador da Vantage Partners, LLC, uma firma de consultoria de negociação em Boston, e co-autor de The Point of the Deal: How to Negotiate When Yes is Not Enough diz: "A forma como avalia uma proposta será diferente consoante esteja à procura de emprego num centro de atendimento de comércio eletrónico ou seja uma executiva a meio da carreira que perdeu o seu lugar numa fusão." Independentemente de onde esteja na sua carreira, existem princípios que poderá seguir para assegurar que toma a decisão certa.

Molde a proposta pelo caminho
Quando o técnico de recrutamento lhe ligar com a proposta, não deve ser a primeira vez em que discute detalhes. "Eu incentivava as pessoas a terem uma conversa sobre as suas aspirações no emprego muito antes do momento da proposta," explica Ertel. Seja honesto ao responder a perguntas de entrevista como: "De que é que está à procura no seu próximo cargo?" Isto aumenta a probabilidade de a proposta incluir coisas que estão na sua lista de desejos. Normalmente, decidir se aceita ou não um emprego não é uma simples escolha de sim ou não, por isso prepare-se para a conversa da proposta como se fosse uma negociação. Raramente deve aceitar algo pelo valor oferecido, mesmo numa economia em depressão. "Se não pede nada, está a perder uma oportunidade," diz Lees.

Faça uma pesquisa mais aprofundada
Poderá descobrir imensas coisas sobre uma empresa antes de enviar o seu curriculum, mas depois de receber a proposta, está na altura de fazer mais pesquisa extensiva. Groysberg escreve no seu artigo "Five Ways to Bungle a Job Change" que um dos maiores erros que as pessoas cometem é não ficarem a saber o suficiente sobre o seu potencial empregador. Procure o máximo de informação que conseguir sobre a empresa, a cultura e os seus colegas futuros. "Agora existe muito mais informação disponível do que costumava haver," diz Ertel. Encontre os funcionários da empresa no LinkedIn e veja o que dizem sobre o seu trabalho no Twitter, Facebook ou outras redes sociais. Também vai querer descobrir o que puder sobre as perspetivas futuras da empresa. Quando a economia está em crise, terá se pensar se a empresa ainda existirá daí a uns anos. "Nos tempos que correm, com as indústrias em constante mudança e empresas muito bem-sucedidas a falhar, se não examinar à lupa a empresa, está a cometer um grande erro," diz Groysberg."

Seja realista em relação às suas perspetivas
Infelizmente, a maioria das procuras de emprego não seguem um processo ordenado que lhe permita comparar várias propostas ao mesmo tempo. O mais provável é que receba a sua primeira proposta quando ainda estiver na fase da entrevista ou tiver acabado de enviar o seu curriculum para outros empregadores. "Não poderá fazer comparações com possibilidades teóricas, que só existem na imaginação. Precisa de ser realista sobre o que é provável que aconteça," afirma Lees. Olhe para as candidaturas que tem em curso e avalie de forma sensata as que têm probabilidades de chegar à fase da proposta. Groysberg sugere que compare a proposta que recebeu com uma lista de desejos do que realmente quer em qualquer emprego. "Por vezes, o suficientemente bom terá de servir. Ponha de lado a ideia de que poderá haver algo perfeito à sua espera," diz Lees. Ele tem visto que a maioria das pessoas quer riscar grande parte das coisas que tem nas listas. Contudo, em alguns casos, poderá aceitar menos coisas se o cargo oferecer algo que valha a pena: um curriculum mais forte, novas competências ou acesso a uma organização onde gostaria de trabalhar a longo prazo.

E se precisa realmente do trabalho?
Num mercado de trabalho difícil, é fácil sobrevalorizar uma proposta. Lees diz que precisa de ser cauteloso com as "lentes cor-de-rosa" que poderá usar se estiver desempregado ou estiver à procura há já muito tempo. Em vez de se tentar convencer de alguma coisa, explore outras alternativas como aceitar o emprego por um período curto de tempo, digamos seis a nove meses, enquanto continua a procurar. Se isso não for possível e precisar realmente do emprego, conheça os riscos inerentes. Groysberg acredita que as pessoas subestimam os custos de transação que a mudança de emprego acarreta: o que faz à sua família, às relações com os seus clientes, e o impacto que tem na sua rede de contatos profissionais e perspetivas futuras. "Precisa de pensar no tipo de investimento que a empresa está a fazer em si e até que ponto a sua saída será prejudicial," explica Ertel. Lees diz que muitos futuros empregadores e recrutadores desconsideram mudanças rápidas de trabalho.

Se decidir não aceitar
Não aceitar uma proposta de emprego pode ser complicado. Você enviou o seu currículo, apareceu numa série de entrevistas e o empregador assume que você provavelmente quer o emprego. "A última coisa que quer é que a empresa pense que andou a brincar com eles," diz Groysberg. Não os engane. Se perceber durante o processo de entrevista que há grandes probabilidades de não aceitar a proposta, informe o responsável para que este se possa focar em candidatos mais viáveis, e poderá continuar a sua procura. Poderá ser tentador provar a si próprio e aos outros que consegue ficar com o lugar mas é uma perda de tempo fazê-lo por uma questão de ego. No entanto, não faz mal continuar num processo quando não tiver a certeza. Vá expressando as suas preocupações e desejos durante o percurso. Isto não só manterá um diálogo aberto mas poderá possivelmente moldar a eventual proposta.

Se não aceitar, lembre-se que há imensa coisa em jogo quando se faz uma proposta. As pessoas investiram tempo e até se podem ter atravessado por si. Nunca dê a entender que a culpa é do cargo ou do salário. Em vez disso, foque-se no que não é um bom encaixe. Isto manterá a porta aberta no futuro. "Quererá ir-se embora de uma forma que permitirá a sua entrada se as necessidades deles mudarem amanhã," explica Ertel. Lembre-se que todas as pessoas que conheceu no processo de entrevista são agora um contato potencial na sua rede. "Nunca seja contraditório ao ponto de não poder ter uma relação com a empresa," diz Lees.

Princípios a Recordar
Fazer:
- Descubra o máximo que puder sobre a empresa, as suas perspetivas futuras e como é trabalhar lá
- Molde a proposta ao longo do percurso, expressando as suas expectativas e desejos sobre o cargo
- Seja sensato relativamente às outras propostas que poderão surgir

Não fazer:
- Aceitar um emprego que não quer a menos que tenha realmente de o fazer
- Sobrevalorizar uma oferta só porque está desesperado
- Dar a entender que a proposta não é suficientemente boa ao decliná-la

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/G

publicado por adm às 23:53 | comentar | favorito