Formação ainda é a melhor aposta contra desemprego

Mais formação continua a garantir maior competitividade no mercado de trabalho, garantem escolas e empregadores.

O saber não ocupa lugar. E apesar de haver muitos diplomados no desemprego, investir na formação e valorizar as competências continua a ser a melhor forma de ser mais competitivo e enfrentar o futuro. E da parte dos empregadores há uma preferência por candidatos com mestrado em detrimento da licenciatura, encurtada com o Processo de Bolonha para três anos, como o confirma a maioria das empresas contactadas pelo Diário Económico, como a EDP, a PT, a Galp, o BES ou a CGD.

"No caso dos licenciados, verificamos que há empresas que optam por não os recrutar, fundamentalmente por falta de maturidade decorrente da idade com que terminam a licenciatura", afirma António Gomes Mota, presidente da ISCTE Business School. João Duque, presidente do ISEG, arrisca uma explicação: "a redução do tempo das licenciaturas é ainda olhada com desconfiança".

Guilherme Almeida e Brito, director dos mestrados da Católica-Lisbon School of Business & Economics, confirma: "Os mestrandos assumem lugares de maior destaque e de maior nível hierárquico à saída do programa. Adicionalmente, os salários médios dos mestrandos são mais elevados". O responsável da Católica fala ainda num "maior grau de responsabilidade e autonomia do emprego encontrado".

Já João Duque, presidente do ISEG, fala num processo de "selecção natural", imposto pela crise, com menor oferta de emprego, "favorecendo os que possuem mais formação".

Daniel Traça, director de estudos pré-experiência da Nova School of Business & Economics, destaca "a formação específica num conjunto de competências relevantes para o processo de procura e escolha de emprego" que é dada no mestrado, além de que a ligação às empresas é maior.

A ponte com o universo empresarial
É, de facto, no mestrado que a aproximação e exposição ao mercado de trabalho é maior e o ‘networking' se reforça. Além dos programas personalizados de desenvolvimento de carreira, as iniciativas são várias e regulares a cargo dos gabinetes de carreiras que jám existem em algumas faculdades e trabalham na empregabilidade dos alunos: módulos de carreira, em que os jovens têm contacto directo, durante uns dias, com empresas recrutadoras; feiras de emprego onde se encontram também empregadores e alunos e muitos saem de lá com entrevistas marcadas; visitas de CEO de grandes empresas à faculdade ou de ex-alunos que vão contar o seu testemunho de integração no mercado profissional. Aliás, manter o contacto e a ligação aos ex-alunos é outra tendência nas universidades. A rede de antigos alunos "favorece o ‘networking' de acesso a carreiras, sobretudo internacionais", justifica Daniel Traça. Existem ainda programas de ‘mentoring', onde cada aluno tem um mentor (um antigo aluno) com quem "tem a oportunidade de reflectir sobre o seu percurso académico e perspectivas de carreira", explica Guilherme Almeida e Brito.
Por outro lado, é no mestrado que, depois de um 1º ano mais teórico, se frequenta um 2º ano mais prático, onde entram as situações empresariais concretas, com a realização de um trabalho de investigação, projecto empresarial ou estágio curricular.

No mestrado, além da maior riqueza de conhecimentos, o aluno ganha uma especialização e capacidade analítica importantes para o mercado de trabalho. Por exemplo, um aluno pode tirar uma licenciatura de Gestão, que é mais generalista, e depois fazer o mestrado numa área mais específica. Permite-lhe ganhar competências em áreas específicas ou adquirir ‘know how' noutra área de estudo, "o que se traduz numa mais valia para uma carreia ainda no início", sublinha João Duque.

Em várias faculdades começam já também a ser uma realidade as aulas de competências transversais, em alguns casos obrigatórias, já que os empregadores procuram cada vez mais jovens com fortes ‘soft skills' como proactividade, espírito de trabalho em equipa, capacidade de liderança, motivação, criatividade, etc. São características trabalhadas neste tipo de aulas e que decorrem do facto das universidades já se terem apercebido que têm de apostar nelas se querem aumentar a empregabilidade dos seus alunos.


O que o mercado procura

- Gestor de exportação e director de mercados internacionais nos sectores alimentar, vinícola, industrial e têxtil;

- Marketing ‘online' e ‘ecommerce';

- Directores financeiros, ‘controllers' financeiros e de crédito e cobranças, analistas de risco e chefes de contabilidade;

- Área de ‘Corporate Tax', Direito Laboral, Fiscal e Contencioso;

- ‘Medical scientific liaison' e de ‘market acess' na indústria farmacêutica.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 23:08 | comentar | favorito