Cargos de topo: só 27% são ocupados por mulheres

Quem ocupa mais cargos de topo: homens ou mulheres? Certamente não ficará espantado se souber que são os homens. Um estudo da empresa de consultoria Mercer coloca Portugal no 19º lugar numa lista de países ordenados por prevalência de mulheres em cargos executivos.

A consultora analisou 247 empresas nacionais e verificou que em 6.207 cargos de topo, só 27% eram ocupados por mulheres, enquanto os restantes 73% pertenciam a homens.

A média europeia é de 29% de mulheres nos cargos de administração ou gestão.

Dos 34 países analisados, a Lituânia tem uma distribuição mais equitativa de cargos executivos (44% são mulheres e 56% são homens), seguida da Bulgária (43% mulheres e 57% homens) e da Federação Russa (40% mulheres e 60% homens).

Mulheres afastadas das chefias

No outro extremo está a Arábia Saudita, onde não existenenhuma mulher a ocupar um cargo executivo em 67 empresas analisadas. No Qatar, a percentagem de mulheres em cargos altos é apenas de 7% e no Egito de 16%.

Para elaborar o estudo foram analisados 264 mil executivos em 5.321 empresas, escolhidas entre os dados do sistema Total Rewards Survey, que compara níveis salariais.

Grécia e Irlanda brilham nas estatísticas

Os resultados do estudo indicam ainda que a Grécia e Irlanda são os países da Europa ocidental com mais percentagem de mulheres em cargos de topo (33%), enquanto Alemanha e Holanda, com 20% e 19%, respetivamente, têm os índices mais baixos.

Para Mónica Santiago, da Mercer Portugal, a predominância de homens em lugares de topo «deve-se sobretudo a questões culturais e sociais», podendo dever-se a «discriminação intencional» ou inconsciente, pelo «desejo de contratar um semelhante».

Mónica Santiago apontou também a «penalização com a maternidade» que as carreiras das mulheres sofrem aos olhos dos empregadores, que não lidam bem com a prioridade aos deveres maternais.

Numa empresa cuja cultura entende a maternidade como detrimento do trabalho, são as próprias mulheres a «virar costas ao progresso na carreira». 

Salários: as diferenças

A Mercer analisou ainda a remuneração de 264.000 cargos executivos e de topo em 5.321 empresas e concluiu que as mulheres em cargos executivos e de topo na Europa recebem menos do que os homens.

Em alguns países, as mulheres ganham um salário base 20% inferior ao dos homens em funções semelhantes e o mesmo se pode considerar em elementos de remuneração variável, como por exemplo o bónus.

Na Europa, as mulheres que ocupam cargos executivos recebem menos que os homens em cargos semelhantes, sendo a diferença da remuneração entre os dois sexos maior na Alemanha (22%), seguida da Áustria (-20%), Suécia (-19%), Espanha e Grécia (ambos -18%), França e Países Baixos (ambos -14%), Dinamarca (-12%), Irlanda (-10%), Itália, Finlândia, Reino Unido e Portugal (-9%), Noruega (-8%), Suíça (-7%) e Bélgica (-6%).

Os dados para o estudo foram recolhidos a partir de abril do ano passado.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 11:26 | comentar | favorito