Cortar apoio aos desempregados vai piorar mercado de trabalho

Relatório da Organização Internacional de Trabalho avisa que as medidas de austeridade aplicadas aos desempregados vão provocar mais danos.

As medidas de austeridade que as economias desenvolvidas estão a aplicar aos apoios para os desempregados vão piorar as condições do mercado de trabalho e agravar as consequências de longo prazo. O aviso é da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e consta de um relatório que será hoje apresentado.

O alerta não foi direccionado especificamente para Portugal, mas assenta como uma luva na actual discussão que afecta o País. O Governo acabou de assinar um acordo com os patrões e a UGT onde se prevê um corte na duração dos subsídios de desemprego e no valor das prestações pagas. Um dos argumentos do Executivo é que ajustar estes mecanismos de apoio financeiro aos desempregados aumenta o estímulo para regressar ao mercado de trabalho mais depressa.

Ora, esta é uma das opções de política sobre a qual a OIT recomenda cautela. Até porque a instituição estima uma perda de 200 milhões de postos de trabalhos nos últimos três anos, no mundo inteiro. "A tendência actual para políticas transversais de austeridade na despesa pública não dá garantias e deverá agravar os problemas no mercado de trabalho", lê-se no ‘Global Employment Trends 2012'.

O documento explica que "as experiências passadas sugerem, em particular, que políticas de apoio aos rendimentos dos desempregados têm o potencial para efeitos alargados e positivos na criação de emprego". Ou seja, "tanto as políticas activas como as políticas passivas direccionadas para o mercado de trabalho têm provado ser muito efectivas na criação de emprego e no apoio dos rendimentos", defende. Já "o corte nestes programas vai agravar os problemas no mercado de trabalho na região [União Europeia e países desenvolvidos], tornando mais custosa a redução das taxas de desemprego e travando substancialmente a retoma", acrescenta ainda a OIT. Em alternativa, os governos devem orientar a despesa pública para sectores "com maior potencial de criação de emprego", cortando, em alternativa, "nas despesas fiscais e nos subsídios que são ineficientes". Contudo, o documento não concretiza quais são os subsídios ou as despesas fiscais a que se refere especificamente.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 08:23 | comentar | favorito