Desemprego e emigração

Recentes afirmações do primeiro-ministro sobre desemprego e emigração de professores para Angola ou Brasil, deram azo a manifestações de repúdio e notícias para vários dias.

Lendo a entrevista, o que afirma é que os professores que não têm emprego, devido à demografia decrescente, têm a emigração como alternativa a trabalhar no país noutra actividade.

As declarações suscitam-me três questões. A do desajuste entre qualificações e mercado de trabalho, a da emigração e a do desemprego. Quanto à primeira, o ideal seria que todos conseguissem emprego no local e na actividade que desejam. Não acreditando em obrigar os cidadãos a determinadas formações, impensável numa economia aberta, por mais informação que se forneça sobre as oportunidades de emprego, é natural que existam desajustes. Para além de que se deve encarar o mercado de trabalho como sendo o da União Europeia, não apenas o português, ou seja, que trabalhar noutro país da UE é tanto emigrar como ir para outro local em Portugal.

Parece-me natural que se encare a possibilidade de trabalhar noutro país, designadamente de língua portuguesa, como uma experiência ou um desafio. E, se há quem prefira partir para conseguir melhores condições de vida, seja emprego na sua área de formação ou um salário melhor, é preferível que vá qualificado e tenha o apoio do Estado português, do que ser iletrado e ir a salto, como no passado. A responsabilidade do Estado não se limita aos portugueses em território nacional, abrangendo todos, onde quer que estejam.

Preocupante é o desemprego, consequência da crise internacional e da incapacidade das lideranças da UE para encontrar soluções credíveis e assumir um projecto europeu que seja mais do que a soma de egoísmos nacionais. Com a Europa dominada pela família política do actual Governo, a receita para os países com problemas financeiros, cada vez mais, é o empobrecimento e a redução do papel do Estado. Levando a situações como a substituição do Estado português pelo chinês, mesmo que indirectamente, na privatização da participação na EDP.

A existência de uma larga franja de jovens qualificados e desempregados, ou com empregos precários e mal pagos, alimenta movimentos como os indignados e é um risco social. A Europa é diferente dos países árabes, mas a desesperança dos jovens contribuiu para a chamada primavera árabe. Se há alguns sinais de políticos europeus que vão tomando consciência do problema, o que falta são soluções.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 21:42 | comentar | favorito