Santa Casa pretende ajudar a criar emprego próprio

A Santa Casa da Misericórdia quer ajudar mais de 100 pessoas por ano a criar empresas com recurso ao microcrédito e quer que estes novos negócios tenham uma taxa de sucesso próxima dos 100%. Segundo o vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), entre meados de 2006 e o final de 2009, a instituição apoiou cerca de 200 pessoas a criarem o seu próprio negócio.

 

A taxa de sucesso destas empresas ronda 60%, "que é muito acima dos restantes sectores da actividade", sublinha António Santos Luiz.

"O empreendedorismo social é um desafio com futuro. Temos ainda de desenvolver um apoio mais forte para que a taxa de sucesso se aproxime o mais possível dos 100%", adianta.

 

Criado há mais de um ano, o Departamento de Empreendedorismo e Economia Social da SCML pretende incentivar à criação de emprego próprio, depois de identificadas as pessoas que mostrem sentido de responsabilidade, espírito empreendedor e capacidade de gerir um negócio.

Santos Luiz admite que nem sempre é fácil encontrar este perfil na população abrangida pela Santa Casa, até porque são muitas as situações de vidas desestruturadas, ausência de hábitos de trabalho ou dificuldades de relacionamento.

 

Mas ninguém é excluído: "Quem não tem o perfil adequado para o programa é encaminhado para outras situações. Tenta-se ajudar a arranjar emprego ou a investir na formação".

 

Cabeleireiros, floristas, peixarias ou pequenas reparações domésticas são as áreas em que tem havido mais investimento e também melhores resultados no empreendedorismo social promovido pela SCML. Para abrir uma empresa, o candidato deve apresentar um plano de negócios aceitável. Também aqui a Santa Casa dá uma ajuda, até porque a formação é quase sempre um passo prévio à criação do negócio.

O crédito é possível através de uma parceria com o Montepio, que financia projectos até 15 mil euros. Em média, os projectos representam um investimento inicial de cerca de 9300 euros. "Tem dimensão financeira reduzida, mas um impacto social extremamente importante. O microcrédito é tradicionalmente concebido para pequenos créditos. Aqui é para uma função social específica: recuperar e inserir pessoas com dificuldades", resume.

 

Também o cumprimento do pagamento das prestações de crédito tem sido satisfatório, rondando 74% em 2009. Para a Santa Casa, o melhor reconhecimento é verificar que as pessoas "já são auto-suficientes e têm capacidade de desenvolver as suas vidas de forma autónoma".

Admitindo que a crise financeira possa levar a mais procura deste tipo de ajuda, sobretudo com o aumento do desemprego, Santos Luiz alerta para a necessidade de pensar as políticas sociais de forma "mais abrangente", o principal objectivo do Seminário de Inovação e Empreendedorismo Social que hoje decorre em Lisboa.

 

"Hoje, as políticas sociais têm de ter uma visão mais abrangente do que as respostas tradicionais. Não basta responder a uma situação de dificuldade, importa atacar as causas", concluiu Santos Luiz.

fonte:http://dn.sapo.pt

publicado por adm às 00:10 | comentar | favorito