Sector criativo cria emprego mesmo durante a crise

As empresas do sector criativo são por norma pequenas, concentram-se na sua grande maioria em Lisboa e, apesar de o país estar em crise, registaram um aumento de emprego, revelou o estudo «Capital Criativo numa Região Capital» divulgado esta terça-feira e citado pela Lusa.

«Mesmo no momento de crise que o país atravessa, aumentou o emprego neste sector. Resistiu melhor e algumas empresas até se expandiram», disse Mário Vale, do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT), da Universidade de Lisboa, referindo que este acréscimo de emprego incidiu, contudo, nas áreas fora da capital. 

Aquele instituto iniciou em 2010 um estudo para conhecer as dinâmicas criativas de Lisboa e como podem contribuir para o desenvolvimento regional.

Segundo Mário Vale, os sectores da publicidade e estudos de mercado registaram uma evolução «retraída», enquanto nas actividades ligadas à cultura e ao património «o emprego aumentou».

Contudo, o representante ressalvou que este aumento não se registou na região de Lisboa e Vale do Tejo porque «tem uma oferta pública muito grande neste sector e não deixa nascer actividades de privados».

Sector representa quase 4% do mercado

O estudo revela ainda que, em 2009, o sector criativo representou 3,8% do emprego em Portugal.

«No que se refere ao Valor Acrescentado Bruto e às exportações, representa 2,5% do total da economia nacional», acrescentou Mário Vale.

Citando o estudo, o professor disse ainda que «56,6% do total do emprego criativo está na região de Lisboa e Vale do Tejo».

«O sector concentra duas grandes áreas relevantes: publicidade e audiovisual e a grade maioria das empresas são relativamente pequenas, com excepção da rádio e da televisão», disse.

Essas empresas são constituídas, sobretudo, por homens (59%), que têm maioritariamente (62%) idades até aos 40 anos, e é um sector de trabalho «bastante qualificado», ao nível dos seus profissionais.

Segundo o estudo, é também um sector com bastante mobilidade, instável e precário.

Mário Vale sublinhou ainda que a indústria criativa se desenvolve nas grandes concentrações urbanas.

Na sua intervenção, Teresa Barata Salgueiro, também do IGOT, defendeu que as «actividades culturais e criativas têm um papel importante» no desafio de aumentar a economia.

«Têm sido utilizadas na revitalização dos centros das cidades, na regeneração de áreas obsoletas e abandonadas e na promoção de bairros culturais», exemplificou.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 22:51 | comentar | favorito