Alemanha é a nova terra de oportunidades

Só a Bosch pretende contratar 200 engenheiros. Existem cem mil ofertas de emprego no site do instituto de emprego alemão.

Procuramos pessoas aventureiras, curiosas e determinadas e que saibam ultrapassar problemas". O convite abre o guia de como viver e trabalhar na Alemanha "Germany, Rigth in the Middle of It". Com um crescimento económico de 3,6%, este é um dos mercados com défice de quadros e pode muito bem ser uma boa escolha se está à procura de emprego. Outra boa notícia é o salário médio do país, que ronda os 3450 euros. Engenharia, saúde, apoio a idosos, apoio domiciliário, hotelaria, restauração e transportes são as áreas onde há mais oportunidades para os portugueses, de acordo com um levantamento feito pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) português em conjunto com o seu congénere alemão. O IEFP acaba de lançar um programa de recrutamento bilateral com a Alemanha. A primeira iniciativa chamou-se "Dias da Alemanha", trouxe empregadores alemães a Portugal e contou com 600 participantes. O resultado foram contratações na área de enfermagem e transportes.

Pelo menos três hospitais, dois grandes grupos empresariais alemães, duas empresas de transportes e uma empresa a operar no sector da indústria aeronaútica procuram quadros portugueses, frisa o IEFP. Em Novembro haverá nova iniciativa em Faro, dedicada ao sector da restauração e hotelaria.

Só a Bosch está à procura de 200 engenheiros, neste momento, principalmente engenheiros mecânicos. Para concorrer basta aceder ao site do grupo empresarial e responder às ofertas. Outra boa notícia é que basta dominar o inglês para tentar a sua sorte. "Estamos a receber candidaturas de todo o país", revela João José Ferreira, director de recursos humanos da Bosch Termotecnologia. A filial portuguesa está a dar uma ajuda à casa mãe para encontrar as pessoas certas para estas vagas.

Pode encontrar cerca de cem mil ofertas só no site do instituto de emprego alemão (www.arbeitsagentur.de). A maioria dos anúncios está em alemão, mas há também vagas em inglês. Poderá também encontrar algumas ofertas no site do IEFP.

As campainhas soaram quando foi divulgado na Alemanha um relatório que recomendava que se facilitasse a entrada de imigrantes como uma das dez medidas para resolver o problema da falta de quadros qualificados no país. 0s mercados português e espanhol foram referidos como possíveis fontes de recrutamento.

De acordo com o director Executivo da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, Hans-Joachim Böhmer, estima-se o que "o número de pessoas passíveis de desempenharem funções profissionais deverá descer dos actuais aproximadamente 45 milhões para 38 milhões em 2025". O que significa um défice de quase sete milhões de quadros.

"Neste momento a procura é essencialmente de profissionais qualificados, sem experiência ou com pouca experiência, para funções técnicas, especializadas e de nível intermédio em vários sectores", sublinha José Bancaleiro, managing partner da Stanton & Chase.

Para concorrrer a estas vagas o ideal é ter algumas luzes de alemão. Mas para isso há diversas ofertas de cursos de formação. A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã promove a partir do fim deste mês um curso de 75 horas que garante o domínio básico da língua e a capacidade de entender um diálogo em alemão. Pode ser um bom ponto de partida para concorrer a um emprego. Há também inúmeros cursos no Instituto Goethe e nas escolas alemãs, em Lisboa e no Porto. Também o IEFP reforçou a oferta formativa de língua alemã, uma vez que a principal barreira a ultrapassar é o domínio da língua. Mas há também ofertas de emprego para as quais basta dominar o inglês.

Mário Gaspar é um exemplo de um quadro português que venceu na Alemanha. O primeiro conselho que dá: "deve apostar na aprendizagem da língua alemã". Ou seja, "não tem necessariamente que falar alemão fluentemente, tem sim de falar inglês e considerar que quanto mais depressa conseguir estabelecer contacto na língua alemã, mais rápida será a integração social na empresa e fora dela". Para este engenheiro que trabalha na Bosch, o fundamental é "não desperdiçar a oportunidade de participação num projecto a nível internacional".

"Os alemães são frontais"

A vontade de desenvolver uma carreira internacional já vinha de longe e, assim que Mário Gaspar viu uma oportunidade, aproveitou. O licenciado em Engenharia Electrotécnica já trabalhava na Bosch quando decidiu participar no Junior Managers Program, que o grupo Bosch promove para formar jovens profissionais em gestão e liderança. Passou seis meses no Brasil e depois outro semestre na Alemanha, conta Mário Gaspar. "Esta mudança, desde o clima à língua, passando por conceitos culturais substancialmente distantes, exigiu sem dúvida um esforço adicional no que diz respeito à velocidade na adaptação à cultura alemã", recorda. No entanto, assim que se adaptou, Mário começou a gostar de trabalhar na Alemanha. "A frontalidade com que se abordam os tópicos independentemente do nível a que a discussão se desenrola, a exposição de todas as preocupações no momento certo sem receio de ferir quaisquer susceptibilidades, e o comprometimento das pessoas, foram, para mim, ensinamentos que creio serem factores que promovem o sucesso de qualquer organização esteja ela onde estiver", defende o engenheiro.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 18:09 | comentar | favorito