Alto-Minho: 500 insolvências em nove meses e 13 mil desempregados

O Alto-Minho conta atualmente com mais de 13 mil pessoas sem emprego e nos últimos nove meses registaram-se 500 insolvências, revelou hoje à Lusa o coordenador da União de Sindicatos de Viana do Castelo.

Segundo Branco Viana, a situação “está a ganhar contornos assustadores” face aos números conhecidos de insolvências, quase duas por dia, e de desempregados.

“Nos organismos oficiais temos cerca de 11 mil pessoas registadas como desempregadas e sem contar com aqueles que já não aparecem porque não têm direito a subsídio. A nossa estimativa é que já são mais de 13 mil desempregados no distrito”, explicou o sindicalista.

Desde o início do ano que o distrito já assistiu a 500 insolvências, individuais e coletivas, das quais mais de metade foram registadas no concelho de Viana do Castelo.

“Só em Viana, concelho, temos mais de 300 insolvências registadas em nove meses. É um cenário absolutamente brutal e nunca visto, estamos a caminhar para a pobreza total”, apontou ainda Branco Viana.

O coordenador da União de Sindicatos de Viana do Castelo falava à Agência Lusa à porta da Têxtil Milopos, instalada em Santa Marta de Portuzelo há 65 anos, mas que deverá entrar em insolvência, segundo a administração.

Hoje, ao regressarem de um mês de férias, o administrador da fábrica comunicou às 85 trabalhadoras que não havia dinheiro ou trabalho.

Isto numa altura em que ainda estão por pagar os subsídios de férias, além dos vencimentos de julho e agosto.

Em declarações à Agência Lusa, o administrador da Milopos explicou, hoje, que o objetivo é “avançar com um pedido de insolvência acompanhado de um plano de recuperação”.

“Neste momento não temos trabalho. Vamos ter de dispensar uma parte dos trabalhadores, no âmbito do plano de recuperação”, explicou ainda Nuno Duarte, deixando, contudo, a garantia: “A Milopos não é para fechar”.

Junto aos portões da empresa, as 85 trabalhadoras concentraram-se ao longo de toda a manhã, aguardando por explicações, e sem nada para fazer.

Face a este cenário, o Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes anunciou que vai pedir a intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho naquela fábrica, alegando salários em atraso e falta de explicações sobre o futuro dos funcionários, a quase totalidade mulheres.

 

fonte:http://noticias.sapo.pt/in

publicado por adm às 13:42 | comentar | favorito