Fim da Cheyenne deixa 300 pessoas no desemprego

 

De acordo com o relatório de insolvência, “não há condições objectivas para ser elaborado e apresentado aos credores um plano de insolvência que preveja a manutenção (retoma) da actividade do devedor”, que empregava 300 pessoas e tem dívidas reconhecidas que ascendem a 6,3 milhões de euros.

A redução na procura, uma política de expansão da rede de lojas incompatível com a capacidade financeira, uma estrutura organizacional pesada, a falência de alguns clientes estrangeiros são alguns dos factores que, segundo o administrador de insolvência, conduziram às dificuldades que levaram à “total falta de liquidez”.

O relatório de insolvência realça ainda a “confusão nas relações entre as empresas do grupo, nas quais se destacam a Paulo Serra & Irmãos [declarada insolvente em Maio] e a Imobiliária das Pateiras” bem como “o conflito com o antigo sócio e gerente José Alexandre Serra Rodrigues”.

Após a saída do então sócio e gerente da Facontrofa, no final de 2008, “a nova equipa de gestão toma consciência do ‘enorme buraco’” em que a empresa se encontra, com os sócios a fazerem “ainda um novo esforço para obter os meios financeiros necessários para equilibrarem económica e financeiramente a sociedade”.

No final de 2009, o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), através do Fundo para a Revitalização e Modernização Empresarial, entrou no capital social com um injecção de dois milhões de euros destinada a “amortizar dívidas junto dos fornecedores”.

Mas “esta injecção de capital acaba por ser utilizada pelas instituições bancárias para amortizar o passivo bancário, sendo que algum deste passivo diz respeito às empresas do grupo”, refere o relatório de insolvência.

De acordo com o administrador de insolvência, Nuno Oliveira da Silva, “ainda durante o ano de 2009, a Facontrofa vê importantes clientes estrangeiros abrirem falência e, com isso, a incobrabilidade de elevadores valores”, ficando a empresa dependente das receitas das lojas, o que, nota, “era manifestamente insuficiente para fazer face a todos os compromissos assumidos com os fornecedores, trabalhadores, banca, Segurança Social, Fazenda Nacional, etc”.

A partir de Março, a empresa deixou de pagar os salários aos seus trabalhadores, o que se repetiu no mês seguinte, o que fez com que “a quase totalidade dos seus trabalhadores suspendesse os contratos de trabalho”.

Neste contexto, depois de consultar a comissão de credores, o administrador de insolvência encerrou a sociedade que chegou a empregar 300 pessoas na unidade industrial e na rede de retalho com a marca Cheyenne, que também fecharam portas. Segundo a lista provisória -- uma vez que o prazo para reclamar créditos ainda estava a decorrer -- os créditos com direito de voto totalizavam 6,3 milhões de euros, sendo cerca de um terço (2,1 milhões de euros) reclamado pelo Instituto da Segurança Social.

fonte:http://economia.publico.pt/

publicado por adm às 23:12 | comentar | favorito