Desemprego em Portugal não poupa população menos instruída

No segundo trimestre deste ano, 675 mil portugueses estavam desempregados, menos 13,9 mil do que no primeiro trimestre, anunciou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE). A taxa de desemprego em Portugal foi de 12,1% no segundo trimestre, diminuindo em 0,3 pontos face aos 12,4% do trimestre anterior.

Do total de desempregados em Portugal, 349 mil são homens e 325 mil são mulheres, números que podem enganar, já que, e em termos relativos, o desemprego feminino situa-se nos 12,4%, enquanto nos homens ficou pelos 11,9%. Valores que mostram que na hora de arranjar emprego os homens estão em vantagem sobre as mulheres. 

Segundo os dados do INE, a taxa de desemprego entre os jovens até 24 anos é de 27%, menos 0,8 pontos que no primeiro trimestre. Esta variação significa que há menos 8,4 mil portugueses activos até aos 24 anos no desemprego. 

Escolaridade A quebra registada neste trimestre ao nível do desemprego em Portugal foi conseguida sobretudo graças à população mais instruída, com uma redução de 4,6% no desemprego entre as pessoas com frequência universitária, agora nos 80,6 mil. Também entre os que completaram o ensino secundário houve uma quebra assinalável na taxa de desemprego, com um recuo de 6,1%. Já na população menos instruída, só com o ensino básico, o desemprego permaneceu quase inalterado, com 462 mil pessoas nesta situação, uma redução de apenas 0,3%. 

Por outro lado, as pessoas que mais sofrem para conseguir entrar outra vez no mercado laboral são as que têm 45 ou mais anos. Contrariando a evolução positiva do desemprego, esta faixa etária aumentou em 9,5 mil o número de indivíduos sem emprego em comparação com os três primeiros meses do ano. Do mesmo modo o desemprego de longa duração aumentou em sete mil pessoas, enquanto o número de pessoas inscritas nos centros de emprego há menos de um ano diminuiu em 21 mil. 

Sectores e regiões A indústria, a agricultura e os serviços registaram aumento de emprego no último trimestre. No primeiro caso o aumento foi de 11,3 mil indivíduos, no segundo e no terceiro caso, o aumento foi de 8,1 mil e 7,7 mil empregos respectivamente. 

A taxa de desemprego diminuiu em todas as regiões, com excepção dos Açores, onde aumentou. O Algarve mantém--se como a região com a taxa de desemprego mais elevada (14,7%), seguindo-se Lisboa (13,5%) e a Região Autónoma da Madeira (13,5%). Contudo, a taxa de desemprego no Algarve foi a que registou uma maior queda em termos homólogos, já que o desemprego na região baixou 2,3 pontos percentuais. Alentejo e Madeira também conseguiram diminuir o número de desempregados, o que pode justificar-se pelo facto destas regiões serem destinos turísticos durante o período sazonal. Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) afirmou que o sector turístico não consegue absorver mais desempregados porque as unidades optam por recorrer ao trabalho temporário. Por outro lado os próprios funcionários que estão desempregados preferem manter o subsídio de desemprego a optar por um emprego que atinge no máximo os três meses.

fonte:http://www.ionline.pt

publicado por adm às 13:36 | comentar | favorito