Construção perde 140 mil empregos com restrições no acesso ao crédito

Banca muda as regras e exige novas garantias e ‘spread’ altos, o que dificulta a vida das empresas.

As empresas da construção e imobiliário traçam um futuro próximo pouco animador para o sector. De acordo com Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e Imobiliário - que agrega 19 associações da fileira da construção - as dificuldades na obtenção de crédito bancário e as novas exigências criadas para o financiamento estão a estrangular a solidez financeira das empresas.

Reis Campos afirmou ao Diário Económico que os bancos estão a impor "novas exigências, garantias e a praticar ‘spreads' que põem em risco a solidez das empresas. Este cenário acontece não só nos novos créditos como nos financiamentos que já estavam contratados, o que está a trazer dificuldades acrescidas ao sector". De acordo com o presidente da CPCI, a manterem-se estas restrições no crédito, "o sector vai assistir a um novo corte no volume de emprego, na ordem dos 140 mil trabalhadores até meados de 2012". Perante este cenário, o representante das empresas de construção e imobiliário alerta que é urgente avançar-se com o reajustamento e disponibilização das verbas do QREN, uma aposta na reabilitação urbana e no mercado do arrendamento, assim como incentivos à internacionalização das empresas .

Apesar de aplaudir o facto de parte das verbas da ajuda externa poderem ser canalizadas para o sector bancário, Reis Campos salienta que essa ajuda não está a ser repercutida no tecido empresarial português. "Estamos a assistir à capitalização dos bancos, ao mesmo tempo que há uma descapitalização das empresas", sublinha a mesma fonte.

Os últimos dados referentes a Abril dão conta que houve uma redução de 4,4% no crédito concedido ao sector da construção e imobiliário, enquanto nos últimos 12 meses o saldo do crédito concedido diminuiu 1,8 mil milhões de euros. De acordo com Reis Campos, nesta fase, a percentagem de crédito malparado do sector situa-se nos 7,2%, enquanto o da indústria em geral ronda os 4,77%. 

fonte:http://economico.sapo.pt

publicado por adm às 23:39 | comentar | favorito