Patrões querem tornar mais baratos os despedimentos

Os patrões querem que a redução das indemnizações por despedimento passe a abranger todos os trabalhadores e não apenas os futuros contratados. Esta é uma das medidas de flexibilização do mercado laboral que serão propostas durante as reuniões de hoje entre as confederações do Comércio, Agricultura, Indústria e Turismo e os negociadores do FMI, BCE e Comissão Europeia.

 

As quatro confederações patronais são hoje recebidas, no Ministério das Finanças, pela 'troika' que está a preparar o programa de ajuda externa, depois das reuniões terem estado inicialmente marcadas para terça-feira. 

Relativamente à legislação laboral, Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) vai reafirmar propostas anteriores que defendem a discussão da flexibilidade e da adaptação das condições de trabalho ao nível das empresas e não da contratação coletiva. 

CCP quer despedimentos mais baratosDe acordo com a edição de hoje do Jornal de Negócios, a CCP considera prioritária a redução dos custos de restruturação e defende que a redução de indemnizações por despedimento se passe a aplicar a todos os trabalhadores e não apenas aos novos contratados como tinha sido aventado, numa primeira fase, pelo Governo.

Se esta intenção for por diante, qualquer trabalhador despedido passará a receber 20 ou 22 dias de salário por cada ano que trabalhou, em vez de 30 dias.

CAP quer manter fundos do PRODERDepois da CCP será a vez da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP). O presidente, João Machado, disse à agência Lusa que na reunião com os representantes do FMI, União Europeia, e Banco Central Europeu irá transmitir "as principais preocupações do setor agricola". 

"A nossa preocupação é que não faltem os fundos para o PRODER pois o programa de investimento em curso é fundamental para a modernização do setor e para a criação de postos de trabalho", disse João Machado. 

CIP concorda com redução das indemnizaçõesA Confederação Empresarial Portuguesa (CIP) será a terceira a ser recebida pela 'troika' e preferiu guardar as declarações para o final do encontro. 

Sabe-se no entanto que partilha a ideia da CCP no que respeita à redução das indemnizações por despedimento. ”É preferível que seja extensível [a todos os trabalhadores] desde que não implique o fundo para despedimentos” afirmou ao Jornal de Negócios o presidente da confederação António Saraiva. 

Turismo defende cortes salariais no setor privadoA Confederação do Turismo Português (CTP) vai ser recebida antes do almoço e o seu presidente, José Carlos Pinto Coelho, declarou por escrito à Lusa que irá transmitir à 'troika' que "há que criar condições para crescer". 

Os patrões estão igualmente contra a atualização do salário mínimo para 500 euros como tinha sido definido em 2010 pelo Governo e parceiros sociais. A Confederação do Turismo Português (CTP) vai mesmo mais longe e defende que a legislação permita cortes salariais idênticos aos que já foram feitos na função pública e nas empresas do estado. 

O Jornal de Negócios diz que a CIP prefere falar de medidas que facilitem um “ajustamento salarial” enquanto a Confederação do Comércio se mostra cautelosa, por temer os efeitos desta medida na procura.

Horários laborais mais flexíveisDe um modo geral todas as confederações patronais querem ver em cima da mesa a negociação de horários laborais mais flexíveis e o alargamento do regime de contratos a prazo

"Concordamos que há um conjunto de cortes na despesa e de medidas que têm de ser tomadas, mas essas medidas são quase todas de recessão e nós queremos que sejam também tomadas algumas medidas que permitam às empresas subsistir, senão entramos numa espiral incontrolável de encerramentos e desemprego", disse à agência Lusa João Vieira Lopes 

O presidente da CCP afirmou que vai defender que devem ser garantidos, através da banca, os financiamentos necessários a empresas que são economicamente viáveis mas que estão a ser "estranguladas por falta de financiamento". A dinamização da reabilitação urbana é também considera vital pela CCP, como forma de revitalizar o comércio, os serviços, o turismo e a construção. 

fonte:_http://www.rtp.pt/

publicado por adm às 23:22 | comentar | favorito