Centros de emprego têm 560 mil inscritos mas a tendência de crescimento abranda

Ainda assim, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) dá conta de uma redução de 1,8 por cento em comparação com o mês de Abril, assinalando uma melhoria do mercado de trabalho que é comum nos meses de Maio, altura em que têm início algumas actividades sazonais.

Esta redução mensal do número total de desempregados registados ocorreu, apesar da entrada de mais 48.101 novos desempregados nas listas do IEFP, sendo consequência de uma anulação de 50.782 desempregados - uma das mais altas de sempre.

O IEFP continua a não divulgar os motivos para essas anulações, ao arrepio dos pedidos formulados pelos parceiros sociais, presentes no conselho de administração do instituto, para que esses números passassem a ser regularmente disponibilizados.

As anulações podem ocorrer por diversos motivos - nomeadamente, pela suspensão da prestação do desemprego, por reforma, por presença em acções de formação, mas igualmente pela anulação por parte dos serviços, seja por não comparência a convocatória ou por não cumprimentos das obrigações traçadas na lei enquanto se é desempregado (comparência quinzenas nas juntas de freguesia da local de residência e prova de diligências na procura de emprego).

Apesar de o número de desempregados continuar bem acima do meio milhão de pessoas e de em Abril a taxa de desemprego ter chegado aos 10,8 por cento - segundo os dados divulgados na segunda-feira pela Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Económico (OCDE) -, o Governo classificou a redução em cadeia do desemprego como "um sinal positivo", embora reconheça que a sazonalidade explica alguma da diminuição das inscrições nos centros de emprego.

"A sazonalidade existe sempre, mas esta é a maior descida em 37 meses", disse ontem secretário de Estado do Emprego. Para Valter Lemos trata-se de uma "boa notícia" que revela "uma tendência" de diminuição do desemprego. Esta tem sido uma previsão que se vem repetindo desde 2008 por parte dos responsáveis governamentais e da direcção do IEFP

Na verdade, esta redução mensal é a maior desde Março de 2008 e ocorre depois de uma explosão do desemprego registado ocorrida sobretudo desde o início de 2009, em que os níveis actuais de desemprego registado não têm qualquer comparação com os níveis passados.

Os dados do Instituto do Emprego mostram ainda que o número e desempregados que se têm inscrito em cada mês tem vindo a atenuar-se. Este é o principal indicador da evolução do desemprego, dado que se trata de dados brutos, não trabalhados pelo instituto.

Mais ofertas de emprego

Depois de um surto violento desde finais de 2008 e ao longo do ano de 2009, com valores mensais superiores a 60 mil novos desempregados em cada mês, as variações homólogas têm vindo a reduzir-se. Mesmo assim, nos primeiros cinco meses do ano entraram nos centros de emprego quase 291 mil novos desempregados.

As ofertas de emprego têm vindo a subir nos últimos meses. Em Maio, foram 13,9 mil novas ofertas de emprego, ou seja, mais 25,8 por cento do que no mesmo mês de 2009. Mas essas ofertas não só representam valores muito diminutos face à dimensão do desemprego - apenas 2,4 por cento do universo de desempregados registados -, como a colocação continua muito aquém da eficácia esperada dos serviços de emprego.

Em Maio, as colocações preencheram apenas metade das ofertas de emprego. E apenas 15 por cento dos novos desempregados entrados nos serviços conseguiram ser colocados. E trata-se de uma taxa bastante mais elevada do que verificado em média nos últimos anos (ao redor dos 7 a 10 por cento).

Olhando para as regiões, o Algarve foi a mais fustigada pelo aumento anual do desemprego (quase 32 por cento), mas é o Norte que alberga o maior número de desempregados.

fonte:http://economia.publico.pt

publicado por adm às 22:47 | comentar | favorito